As Eleições 2010 para o Governo do Amazonas: Capitalistas x Socialistas


Fernando Lobato
Candidato a Vice-governador pelo PSOL nas Eleições 2010

Seis candidaturas foram inscritas para a disputa do Governo do Amazonas em 2010. Três defendem o sistema dominante (Alfredo, Omar e Hissa) e três são críticas do mesmo (Luiz Carlos Sena, Herbert e Navarro). Embora queiram definir essa eleição como um simples embate entre Alfredo e Omar, dois membros da oligarquia local, não há como se ignorar o fato de que se trata também de um embate entre capitalistas e socialistas de vários matizes. Esse foi, pelo menos para nós do PSOL, o sentido que nos fez entrar nessa disputa, apesar de todas as dificuldades que temos de superar para levar nossa mensagem à população amazonense.

Para nós do PSOL, a lógica capitalista, no Amazonas, mostra-se ainda mais malévola do que em outros lugares. É ela que provoca, por exemplo, a excessiva concentração populacional em Manaus que, por sua vez, faz disparar o preço dos imóveis e dos aluguéis. É ela que despovoa ainda mais o interior de um estado já despovoado e que carece de braços no setor primário para alimentar, pelo menos parcialmente, a sua população. É ela que faz com que Manaus inche com a atração da população desempregada de outros estados e force um avanço desordenado da cidade sobre a floresta. É ela que nos mata mais cedo com as doenças relacionadas ao mundo do trabalho e com o excesso de stress derivado da necessidade de deslocamento freqüente de um lugar para o outro e dos engarrafamentos quilométricos.

Esse é o sentido do dito desenvolvimento capitalista:fazer crescer a produção de produtos e riquezas ao mesmo tempo em que se degenera a qualidade de vida de todos. Se aos manauaras fosse permitida uma volta no tempo, não tenho dúvidas de que a grande maioria se posicionaria em favor de um desenvolvimento da cidade menos acelerado, mais justo socialmente e sem grandes impactos ambientais. É notória, na fala dos maiores de 40 anos, a saudade de uma Manaus onde não era preciso sair da cidade para se tomar um gostoso e relaxante banho de igarapé. A quem interessa esse modelo de desenvolvimento que prestigia dinheiro e investidores enquanto deprecia a qualidade de vida da maioria? Será que não temos alternativa a essa lógica que promove a desconfiança entre as pessoas e o aumento da criminalidade? Será que pra crescer economicamente temos de nos barbarizar enquanto seres humanos?

Nós do PSOL não temos dúvida de que existem alternativas e de que elas passam, necessariamente, pela adoção de princípios socialistas na dinâmica social, principalmente na gestão estatal. Tomo conhecimento, com satisfação, que hoje, dia 30 de julho, a Prefeitura de Londres inaugurou um sistema estatal de locação de bicicletas para a sua população. Mais de dois séculos depois de se tornar a cidade mãe do capitalismo mundial, Londres desprestigia o motor e faz opção por um veículo que não gera fumaça e ainda melhora o condicionamento físico da população. Espero que essa novidade seja de fato o início de mudanças mais gerais na sociedade londrina e inglesa.

Aqui no Amazonas, os sócios locais do capitalismo mundial vão continuar dizendo que é preciso prorrogar os incentivos fiscais da Zona Franca até 2100 ou 2200, que o modelo é ecologicamente correto, que o Amazonas está sendo preparado para o futuro, que o modelo é bom porque gera dezenas de milhares de empregos diretos e por aí vai. O que eles não dizem é que esse sistema de isenção fiscal é uma forma de transferência de recursos públicos para o setor privado, que mantém o estado atrasado economicamente, pois não desenvolve de fato as forças produtivas e que a grande massa operária tem rendimentos que não superam os dois salários mínimos mensais.

A população amazonense precisa despertar para a importância da discussão política acerca do modelo do qual nos tornaram reféns. No curto prazo não há remédio para a nossa dependência do mesmo, mas é fundamental começarmos a encaminhar as mudanças estruturais necessárias para um melhor equilíbrio da relação produção x qualidade de vida geral. Os candidatos capitalistas não irão tomar essas iniciativas porque isso, necessariamente, se choca com os interesses dos quais ou são sócios ou são representantes. Enquanto eles ganharem, nós sempre iremos perder. As eleições representam uma chance de mudança e, exatamente por isso, o sistema busca silenciar as vozes verdadeiramente socialistas. Nestas eleições isso não será diferente. Nós do PSOL vamos continuar falando sem parar. Quem sabe o povo não começa a prestar atenção!

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