O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO, A ILHA DA FANTASIA E O REINO DO MIGUÉ - ÚLTIMA PARTE

ENTRE OS "ISMOS" E O TECNICISMO!
Por Fernando Lobato_Historiador

    A última parte de "Horário Eleitoral Gratuito, a Ilha da Fantasia e o Reino do Migué" enfoca as demais candidaturas, ou seja, a dos três que se definem como representantes do SOCIALISMO Herbert, Navarro e Serafim além das de Pauderney Avelino e Jerônimo Maranhão, o único estreante em eleições majoritárias.
   O que é o socialismo depois do colapso, sobretudo, da ex-URSS? Eis a pergunta que não quer calar e que tem as mais variadas respostas, dependendo do questionado. Penso que o socialismo jamais desaparecerá como projeto político tendo em vista que aquilo que o move, ou seja, a busca por um mundo sem alienação, exploração e opressão e onde todos possam sentir-se livres e felizes, ainda é um sonho muito distante da realidade.
   Particularmente, penso que o capitalismo, enquanto sistema, está com seus dias contados por que o mesmo se desenvolveu a partir da promessa de um mundo mais feliz e próspero para todos. Com base nessa promessa, as monarquias absolutas limitaram o poder dos senhores feudais e abriram o caminho, não apenas para as Índias, mas, sobretudo, para aquilo que hoje entendemos como globalização. Foi isso que, depois, impulsionou a Revolução Industrial e as Revoluções Liberais dela decorrentes.
  Apesar da enorme dor que criava ao crescer e se expandir, o capitalismo foi sempre capaz de vender a esperança de um mundo melhor e mais próspero, inclusive quando recrutava os povos para as guerras mundiais do Século XX. Essa capacidade,penso eu, se esgotou e não tem mais como ser reafirmada sem uma grotesca deformação da realidade que está posta e que, inegavelmente, é fruto da expansão do próprio sistema. É em torno de uma alternativa ao que está posto que se ancoram os mais diversos discursos que, na atualidade, se apresentam como socialistas.
  Luiz Navarro, representando o PCB, começou o Horário Eleitoral dizendo que o capitalismo é o culpado por ele não ter condições de chegar mais perto do eleitor. De fato, não tem como chegar tal como o Sabino, de helicóptero, mas de carro ou de ônibus é plenamente possível, basta querer. A afirmação de Navarro, na verdade, desvia o foco da sua incapacidade para agregar novos atores políticos em torno de si e de seu partido.
  Herbert Amazonas, do PSTU, não fez uso, nesta eleição, do chavão já por demais batido e nunca compreendido pela massa, ou seja, o "NÃO VOTE EM BURGÊS, VOTE 16!". Fugindo do habitual, tem apresentado propostas para a solução dos graves problemas de Manaus, ainda que por demais genéricas e sem uma fundamentação mais cientificista, ou seja, de como e de que forma pretende implementá-las, ainda que como fruto das discussões dos Conselhos Populares que serão criados caso chegue ao poder.
   Serafim Corrêa, do PSB, se diferencia de eleições anteriores pelo maior uso do vermelho em suas aparições e por uma maior ênfase no "S" de sua sigla, talvez por conta de sua aliança com o PSOL, partido deste que vos escreve. É fato que o PSB não tem uma ênfase no "S" tão enfática como nós do PSOL gostaríamos, mas, diante das incoerências e absoluta fragilidade do PSTU e do PCB locais, acabou sendo a melhor aliança socialista possível de ser celebrada, tendo em vista o recuo do PSOL Manaus em lançar candidatura própria num cenário tão inflado de pretendentes à Prefeitura Municipal.
  Por fim, resta-nos falar das candidaturas de Pauderney e Jerônimo. O primeiro me surpreendeu ao manter sua candidatura mesmo após a entrada de Arthur na disputa. Imaginava que poderia renunciar em favor de Arthur, mas acabou não seguindo o exemplo de Hissa do PPS que, mais uma vez, mandou o "S" de sua sigla pro espaço sideral. Jerônimo é o estreante que tem se pautado por um discurso tecnicista cujo resultado eleitoral somente será conhecido no dia 07 de outubro, ou seja, se será suficiente para lhe render uma votação melhor que a de Herbert e Navarro.

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