Hobbes, Rousseau e o modelo de estado que necessitamos

Nem tudo o que parece justo é realmente justo. Os seres humanos tem semelhanças e diferenças entre si que precisam ser valorizadas e respeitadas na dinâmica coletiva.

Por Fernando Lobato_Historiador

O homem é o lobo do homem ou é o bom selvagem? Quem está certo, Hobbes ou Rousseau? Hobbes argumenta que o homem tem uma natureza igual a dos lobos. É uma ameaça constante porque deseja tirar vantagem de tudo e de todos. Eis porque, segundo o autor de “Leviatã”(1651), o estado é não apenas um mal necessário, mas fonte de paz, segurança e liberdade coletiva. É um mal que se transforma em bem ao submeter e controlar os “lobos”.  Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista da democracia, dirá, 111 anos depois, que a maldade não está no homem, mas no estado absolutista que o pervertia e corrompia. O homem, a bem da verdade, diz o autor do “Contrato Social” (1762), nasce bom e livre. É a ordem política, com seus valores artificiais  e equivocados, que o aliena e afasta de sua natureza original. E assim, Hobbes vê o estado forte e interventor com um ser merecedor da proteção geral, apesar da feição monstruosa. Rousseau, por sua vez, o vê como monstro a ser domado e controlado pela vontade popular.

Esse debate, apesar de velho, merece ser promovido e ampliado. E, ao fazê-lo, vem a tona a questão em torno da natureza humana em sociedade. Eis porque parabenizei o filósofo e amigo Adilson Maia por ter promovido essa discussão num debate recente na internet (VER AQUI). Particularmente, acho que tanto Hobbes quanto Rousseau cometem equívocos e acertos em suas análises. O homem não é nem santo nem demônio. Seu livre arbítrio é que o torna uma coisa ou outra. Concordo, porém, que a ordem política exerce influência sobre o mesmo, seja para o bem seja para o mal. O Estado pode e deve funcionar como promotor da liberdade e segurança coletiva e a luta por mais democracia – centro da tese de Rousseau - deve ser sempre nosso objetivo. Há casos, porém, em que os “lobos” precisam ser domados por um estado forte e interventor. O poder excessivo das corporações privadas é um exemplo cabal dessa necessidade nos tempos atuais e Hobbes merece todo o nosso crédito. Hobbes, inclusive, usa a imagem do lobo pensando na obsessão pelo lucro na Inglaterra de sua época.
Estado forte, mas progressiva e profundamente democrático é o que precisamos nos tempos atuais. Um estado que não seja frouxo e inexistente como o estado liberal burguês. Um estado que dome os lobos quando isto se fizer necessário, mas que também esteja amplamente domado e controlado pela sociedade civil. Estado de exceção ou totalitários são uma excrecência que não deve mais se repetir na história da humanidade. É um equilíbrio difícil, mas que precisa ser buscado e operacionalizado através de inovações e aperfeiçoamentos na estrutura já erguida e em funcionamento do chamado estado democrático de direito. 

Comentários

  1. LOBATO, vim ver seu blog e dei de cara com esse texto em que um contradiz o outro, amigo. Só que você não diz de onde retirou essa contradição. Isso é feio demais para um historiador. Vc tem competência e capacidade para fazer melhor do que isso!

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  2. se você tiver paciência para ler a obra desses dois autores perceberá também a contradição existentes entre os dois pensamentos...

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